Coleta
A rua ainda está deitada
quando o portão do laboratório se abre.
O frio acompanha,
a xícara de café ainda morna na lembrança.
As cadeiras frias rangem sob os casacos,
as senhas piscam em silêncio,
os rostos bocejam.
Lá fora, o céu ainda é um pano escuro,
mas já há um risco de luz no canto,
um fio dourado atravessando a madrugada.
Reflito.
pra colher o sangue,
precisei doar também o sono.
Mas, no vidro da janela,
o dia se estica.
O Sol nasce.
E a gente volta pra casa
com um papel na mão
e um amanhecer no bolso.

